Quando comemoramos 52 anos da Revolução dos Cravos, o Emissor Regional do Zêzere vai transmitir este sábado e domingo às 13 e às 20 horas os sons da revolução.
Um trabalho dos Estúdios Sassetti, com reportagem de Adelino Gomes, Paulo Coelho, Pedro Laranjeira, narração de João Paulo Guerra, montagem de Pedro Laranjeira.
Diretor de colecção: João Paulo Guerra
Capa: João Santos
© 1974 Uma edição conjunta Seara Nova • Orfeu Editores de Música desde 1948
PROCLAMAÇÃO DO MOVIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS
«Considerando que ao fim de treze anos de luta em terras do Ultramar, o sistema político vigente não conseguiu definir, concretamente, uma política ultramarina que conduza à paz entre os Portugueses de todas as raças e credos;
considerando o crescente clima de total afastamento dos Portugueses em relação às responsabilidades políticas que lhes cabem como cidadãos, em crescente desenvolvimento de uma tutela de que resultam constante apelo à indiferença e ao desinteresse;
considerando a necessidade de sanar as instituições, eliminando do nosso sistema de vida todas as ilegitimidades que o abuso do Poder tem vindo a legalizar;
considerando finalmente que o dever das Forças Armadas é de defesa do País, como tal se entendendo também a liberdade cívica dos seus cidadãos;
o Movimento das Forças Armadas, que acaba de cumprir com êxito a mais importante das missões cívicas dos últimos anos da nossa História, proclama à Nação a sua intenção de levar a cabo a sua total realização, um programa de salvação do País e de restituição ao Povo Português das liberdades cívicas de que vem sendo privado.
Para o efeito, entrega o Governo a uma Junta de Salvação Nacional, a quem exige o compromisso, de acordo com as linhas gerais do Programa do Movimento das Forças Armadas, que, através dos órgãos informativos, será dado a conhecer à Nação, de no mais curto prazo consentido pela necessidade de adequação das nossas estruturas, promover eleições gerais de uma Assembleia Nacional Constituinte, cujos poderes, por sua representatividade e liberdade na eleição, permitam ao País escolher livremente a sua forma de Estado e política.
Certos de que a Nação está connosco e que, atentos aos fins que nos dirigem, aceitará de bom grado o governo militar que terá de reger nesta fase de transição, o Movimento das Forças Armadas apela para a calma e civismo de todos os Portugueses e espera da Nação adesão aos poderes instituídos em seu benefício.
Sabemos deste modo honrar o Passado no respeito pelos compromissos assumidos perante o País e perante todos os seus cidadãos e confiamos que a Nação portuguesa, com fé e firmeza, saberá, neste momento decisivo da sua História, reafirmar o seu direito à Liberdade.»





