Na passagem da noite de 30 de abril para 1 de maio, cumpre-se uma das tradições mais antigas e simbólicas da cultura popular portuguesa: a colocação dos “maios” ou “maias”.Por entre o silêncio da madrugada, há quem, discretamente, coloque giestas amarelas, ramos de flores ou outros elementos vegetais nas portas, janelas, varandas e campos.
Este gesto simples carrega séculos de significado — acredita-se que serve para afastar o mau-olhado, os espíritos malignos e tudo o que possa trazer infortúnio ao lar.“Não deixes o maio entrar” é a expressão que atravessa gerações, lembrando a importância deste ritual de proteção. Em muitas regiões, especialmente no interior, a tradição mantém-se viva, reforçando laços comunitários e preservando a identidade cultural. Mais do que superstição, esta é uma celebração da primavera, da renovação e da ligação à terra.

As maias, com o seu amarelo vibrante, anunciam novos ciclos e recordam-nos que, mesmo nos gestos mais pequenos, há história, memória e tradição. Esta noite, mantém-se o costume: coloca-se a maia à porta… e deixa-se o maio lá fora.
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