O apelo lançado pelo presidente da Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere, Bruno Gomes, há pouco mais de 24 horas, já começa a dar frutos. Face à urgência em reparar centenas de telhados danificados pela tempestade Kristin, o autarca pediu apoio às empresas de construção civil. A resposta não tardou: pelo menos três empresários do setor disponibilizaram-se para ajudar, de forma gratuita, nesta difícil empreitada.
“São empresas que vêm de forma espontânea, e a título gratuito dar também o seu contributo”, explicou Bruno Gomes. Uma das empresas é de Barcelos, outra de Amarante e uma terceira do Cartaxo, que já esteve no terreno e deverá regressar no próximo sábado. “Estas empresas vão ceder uma ou duas semanas do seu trabalho diário. Querem dar o seu contributo. Vêm de forma autónoma e com a maquinaria necessária”, acrescentou.
Comunidade ainda sem energia
Quase duas semanas após a passagem da tempestade Kristin pelo centro do país, cerca de 30% da população de Ferreira do Zêzere continua sem eletricidade. “É muito tempo para as pessoas que estão sem energia há 14 dias. Sem energia, sem televisão e sem rede telefónica, muitas das vezes”, lamentou o autarca, sublinhando a dificuldade em gerir as expectativas da comunidade.
Além da falta de energia, persistem problemas nas telecomunicações, com a operadora MEO a enfrentar dificuldades em garantir os serviços mínimos. A situação agrava-se diariamente, já que os telhados permanecem danificados e a chuva continua a entrar em muitas habitações.
Apoio às empresas locais
Bruno Gomes renovou também o apelo ao Governo para que disponibilize apoios a fundo perdido às micro e pequenas empresas da região, gravemente afetadas pelo mau tempo. “Perderam muitas das suas infraestruturas e é muito difícil, com três ou quatro empregados, reerguerem um edifício que custa 150 ou 200 mil euros. Acho que tem de haver dinheiro a fundo perdido para as micro e pequenas empresas, tal como há para os municípios”, defendeu.
Enquanto se aguardam medidas concretas, a solidariedade das empresas de construção civil surge como um sinal de esperança para a comunidade, que enfrenta ainda enormes desafios na recuperação.




