Entre 1 e 3 de julho, a Academia de Estudos do Santuário de Fátima promoveu mais uma edição dos Cursos de Verão, reunindo cerca de uma dezena de investigadores e mais de uma centena de participantes. O tema escolhido — “Fátima depois de outubro de 1917: o ciclo cordimariano” — abriu espaço para refletir sobre a atualidade da mensagem de Fátima e sobre a proposta de uma “inteligência cordial” como alternativa ao predomínio da razão técnica.
Na sessão de abertura, Marco Daniel Duarte, diretor da Academia e coordenador da formação, sublinhou que “em tempos de inteligência artificial, Fátima propõe uma inteligência cordial”, capaz de ler o mundo não apenas pela lógica racional, mas também pela afetividade. Inspirado nas palavras recentes do Papa Leão XIV, que insiste no “coração” como lugar onde Deus deseja habitar, Duarte reforçou que a espiritualidade de Fátima continua a oferecer respostas ao presente.
O investigador José Eduardo Franco, da Universidade Aberta, aprofundou esta linha de pensamento ao apresentar o tema “Espiritualidades quentes num mundo frio: os corações de Jesus e de Maria”. Defendeu que, ao longo da história, coexistem espiritualidades frias — mais racionais e distanciadoras — e espiritualidades quentes, centradas na proximidade e misericórdia divinas. É nesta segunda corrente que se insere a devoção aos Sagrados Corações, culminando em Fátima como ponto de chegada de uma longa tradição.
O reitor do Santuário, padre Carlos Cabecinhas, destacou que Fátima universalizou a devoção ao Imaculado Coração de Maria, tornando-a central na vida da Igreja. Recordou que esta espiritualidade, já presente antes das aparições, ganhou em Fátima uma dimensão eclesial e global, influenciando até a integração da memória litúrgica do Imaculado Coração no calendário universal.
Sobre a promessa “por fim, o meu Imaculado Coração triunfará”, o reitor esclareceu que não se trata da vitória dos fortes, mas da lógica do amor e do serviço. O triunfo realiza-se sempre que alguém escolhe o bem e responde ao chamamento de Deus, seguindo o exemplo de Maria.
No encerramento, Marco Daniel Duarte reforçou que o coração, entendido biblicamente como centro da existência humana, é símbolo de reconciliação e de encontro. Assim, Fátima propõe uma “inteligência cordial” como caminho alternativo para um mundo marcado pela hipertecnização, convidando a humanidade a unir razão e afetividade.





