Investigadores do Instituto Terra e Memória (ITM), sediado em Mação, integraram uma equipa internacional responsável por uma descoberta científica inédita: a recuperação, pela primeira vez no mundo, de ADN humano antigo diretamente das paredes de uma gruta com arte rupestre.
O trabalho foi desenvolvido na Gruta do Escoural, no concelho de Montemor-o-Novo, a única gruta em Portugal onde existem, até ao momento, evidências de arte paleolítica. A investigação demonstra que o ADN humano pode permanecer preservado durante milhares de anos nas superfícies rochosas, mesmo na ausência de ossos, sedimentos ou outros vestígios arqueológicos.

A descoberta representa um importante avanço para a arqueologia e para a genética, ao permitir estudar as populações pré-históricas através do material biológico deixado nas paredes das grutas. Os investigadores concluíram que estes espaços não eram apenas locais de contemplação artística, mas também de interação física, onde os seus ocupantes deixavam a sua marca biológica.
O ADN foi identificado tanto em paredes com pinturas como em superfícies sem pigmentação, sugerindo que foi depositado diretamente pelo contacto humano. Esta nova abordagem poderá, no futuro, permitir obter informações sobre o sexo biológico, a ascendência genética e outras características das populações que frequentaram estes locais há cerca de 24 mil anos.
O estudo foi publicado na prestigiada revista científica Nature Communications e contou com a colaboração de investigadores de vários países, colocando Mação e o Instituto Terra e Memória em destaque numa descoberta com impacto internacional.
Municipio de Mação




