No próximo dia 25 de Novembro, data em que se assinala o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, Lisboa voltará a ser palco de uma grande manifestação, marcada para as 18h30, com partida no Largo do Intendente e chegada ao Largo de São Domingos.
A marcha, que reúne organizações, coletivos e cidadãs de todo o país, pretende dar voz às lutas pelo fim da violência machista e pela igualdade de género. O manifesto deste ano celebra os progressos legislativos alcançados, como a criminalização dos deepfake, a proibição do casamento de menores ou a proposta de tornar a violação um crime público, mas sublinha que “as lutas continuam a ser muitas e tão diversas quanto os nossos corpos.”
Segundo o texto divulgado, 11 mulheres foram assassinadas em Portugal na primeira metade de 2025 em contexto de violência doméstica. As organizações alertam que fatores como a crise de habitação e a precariedade laboral agravam a vulnerabilidade das vítimas, muitas vezes dependentes economicamente dos agressores.
A marcha também denuncia a violência obstétrica e o desinvestimento no Serviço Nacional de Saúde, destacando o impacto nas mulheres grávidas e profissionais de saúde. Até à data de redação do manifesto, 57 bebés nasceram fora de unidades hospitalares, um número que ultrapassa o total de 2024.
Entre as reivindicações, destacam-se quatro eixos principais:
- Políticas públicas interseccionais e eficazes no combate à violência de género;
- Fortalecimento do SNS e respeito pelos direitos sexuais e reprodutivos;
- Educação pública e inclusiva;
- Política externa feminista e solidária, em defesa das mulheres em contextos de guerra e vulnerabilidade, como na Palestina.

A manifestação em Lisboa contará com o apoio de várias entidades, incluindo a Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e Parto e o movimento HeForShe UL.
Apesar de acontecer na capital, o apelo é nacional: as organizações convidam as mulheres e aliados de todas as regiões, incluindo o nosso distrito, a participar ou promover ações locais de solidariedade, reforçando que “a luta contra a violência de género é uma causa de todas e todos.”




