O Ramal de Tomar assinala este ano 50 anos sobre a conclusão da sua eletrificação, uma transformação que marcou uma nova etapa na ligação ferroviária entre Tomar e a rede nacional, permitindo, posteriormente, o estabelecimento de ligações diretas entre Lisboa e a cidade.
Com 14,7 quilómetros de extensão, o Ramal de Tomar é atualmente uma ligação ferroviária de via única eletrificada, com duas estações e quatro apeadeiros, assegurando a ligação entre a cidade de Tomar e a Linha do Norte, através da estação de Lamarosa, no concelho de Torres Novas.
A história desta ligação ferroviária remonta ao início do século XX. A construção do ramal teve como principal objetivo contribuir para quebrar o isolamento regional de Tomar, numa época em que as deslocações dependiam de uma rede rodoviária com condições limitadas e da navegação no rio Tejo.
Os trabalhos de construção ficaram a cargo da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses e tiveram início em 1925.
A inauguração aconteceu a 24 de setembro de 1928, com a designação de Caminho de Ferro de Lamarosa a Tomar. A cerimónia contou com a presença de representantes governamentais, entidades civis e militares, responsáveis da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses e autoridades locais.
O comboio inaugural partiu da estação do Rossio, em Lisboa, por volta das 09h50, chegando a Tomar pelas 12h00. Para a ocasião foi também organizado um serviço ferroviário especial destinado a permitir a participação de pessoas provenientes de outras localidades.
Ao longo das décadas seguintes, o Ramal de Tomar acompanhou a evolução dos transportes ferroviários em Portugal.
A partir da década de 1950, registaram-se melhorias significativas no serviço, nomeadamente com a introdução de novo material circulante automotor a diesel, proporcionando melhores condições de conforto aos passageiros.
Já na década de 1970, foram introduzidos comboios constituídos por locomotiva diesel e carruagens, permitindo aumentar o nível de conforto e o número de circulações com destino a Tomar.
Foi neste contexto de modernização que surgiu uma das principais mudanças na história do ramal. Em novembro de 1976, foi concluída a eletrificação da ligação ferroviária, permitindo substituir a tração diesel por comboios elétricos.
Nos anos seguintes foram estabelecidas ligações diretas entre Lisboa e Tomar, reforçando a importância do ramal na ligação da cidade à Linha do Norte e à restante rede ferroviária nacional.
O Ramal de Tomar teve também uma importante função no transporte de mercadorias. Durante vários anos foram transportados diversos produtos locais e regionais, embora este serviço tenha perdido expressão ao longo da década de 1970, acabando posteriormente por ser extinto.
A ligação ferroviária de Tomar assumiu ainda um papel relevante no turismo. Segundo a CP, a cidade foi o primeiro destino dos chamados “Expressos Populares”, uma iniciativa lançada em 6 de agosto de 1933. Também por ocasião da Festa dos Tabuleiros foram realizados comboios especiais para transportar visitantes até Tomar.
Quase um século depois da sua inauguração, o Ramal de Tomar continua a assegurar a ligação ferroviária da cidade à Linha do Norte.
Atualmente, a infraestrutura é servida pelos serviços Regional e InterRegional da CP, mantendo-se como uma importante ligação ferroviária para Tomar e para a região.
A história do ramal acompanha, assim, quase um século de evolução dos transportes ferroviários em Portugal: desde a inauguração da ligação entre Lamarosa e Tomar, em 1928, passando pela modernização do material circulante e pela eletrificação concluída em 1976, até ao atual serviço ferroviário de passageiros.
Fonte: CP – Comboios de Portugal.




