Autarca destaca resposta local da Proteção Civil sem apoio regional ou nacional e pede medidas urgentes para reconstrução do concelho.
O presidente do Município de Alvaiázere, João Paulo Guerreiro, descreveu como “cenário catastrófico” os efeitos da depressão Kristin no concelho, sublinhando que foram apenas os agentes locais da Proteção Civil que responderam ao impacto da tempestade, sem apoio regional ou nacional.
“Em Alvaiázere, temos um cenário catastrófico com centenas de habitações muito danificadas estruturalmente, algumas pessoas desalojadas”, afirmou o autarca, na noite de quarta-feira, a partir de Leiria, onde conseguiu rede de telemóvel.
Segundo João Paulo Guerreiro, foi possível desobstruir as principais estradas e algumas secundárias, mas continuam vias por desimpedir. O município montou uma zona de acolhimento com cinco pessoas, apoiadas por equipas médicas e psicológicas, mas permanece sem eletricidade e comunicações. “O único meio de comunicação era via rádio, usado para questões táticas e de comando”, explicou.
O presidente da Câmara destacou como prioridade a remoção das dezenas de milhares de árvores caídas, a segurança da população e o restabelecimento da normalidade nos serviços de energia e telecomunicações. Sublinhou ainda que, apesar da destruição, não há vítimas a lamentar, embora quase todos os edifícios municipais tenham sido atingidos.
“Estávamos à espera de um evento difícil, não de um evento desta magnitude. A palavra que utilizo é catástrofe, porque foi, efetivamente, o que aconteceu em Alvaiázere”, reiterou o autarca, enaltecendo o trabalho exemplar dos agentes da Proteção Civil, que atuaram com meios limitados.
O Plano Municipal de Proteção Civil está ativado e a autarquia aguarda agora medidas do Governo para apoiar particulares e entidades na reconstrução. A depressão Kristin deixou um rasto de destruição em Portugal, provocando cinco mortos e vários desalojados.
SCMA garante segurança dos utentes
A Santa Casa da Misericórdia de Alvaiázere (SCMA) informou que todos os utentes do Lar Francisco Caetano da Silva, da Unidade de Cuidados Continuados e do Internamento Particular do Hospital Santa Cecília se encontram em condições de segurança e conforto. Apesar dos danos avultados nas instalações, o esforço dos colaboradores e dos parceiros no terreno tem permitido manter uma boa resposta dos serviços.
Aos utentes do Serviço de Apoio Domiciliário está a ser assegurado o aprovisionamento de comida, procurando responder às situações mais urgentes decorrentes dos danos nas habitações. Todas as instalações dispõem de eletricidade, com exceção da Creche, que permanecerá encerrada até ao restabelecimento das comunicações e da energia elétrica. Houve apenas uma falha temporária no gerador do Hospital, entretanto reparada, existindo já uma resposta alternativa.
A SCMA agradeceu o apoio dos parceiros no terreno, em especial à Odraude e ao Município de Alvaiázere.




