O mundo do teatro, cinema e televisão perderam um grande nome há 38 anos: Ivone Silva.
De seu nome completo Maria Ivone da Silva Nunes Viana, uma das mais marcantes atrizes portuguesas do teatro de revista, nascida a 24 de abril de 1935, em Paio Mendes, na freguesia de Nossa Senhora do Pranto, concelho de Ferreira do Zêzere. A artista faleceu em Lisboa, a 20 de novembro de 1987, vítima de cancro da mama.
Filha de José António da Silva e Ermelinda Rosa Nunes Dias, e descendente de Duarte Galvão, Ivone Silva cresceu num ambiente fortemente ligado às artes, não só por influência dos pais, ligados à alfaiataria, mas também pelo pai, que participou como ator em filmes portugueses como O Ladrão da Luva Branca e O Zé do Telhado. Entre os irmãos destacou-se ainda Linda Silva, também atriz.
A morte do pai, quando Ivone tinha apenas 10 anos, levou-a a ingressar num colégio até completar a escolaridade mínima. Aos 13 anos começou a trabalhar como costureira e mais tarde como empregada de comércio, profissões que nunca a entusiasmaram. Com 16 anos, emigrou para Paris, onde viveu e trabalhou durante uma década, regressando a Portugal em 1963.
Foi nesse regresso que, incentivada por amigos que reconheciam o seu talento, decidiu não voltar a Paris e ingressou no teatro de revista, como “discípula” do empresário José Miguel. Nesse ano estreou-se no teatro ABC, na peça Vamos à Festa, seguindo-se Gente Nova em Biquini, o trabalho que viria a consolidar a sua popularidade.
Ao longo da carreira, Ivone Silva conquistou vários prémios, entre os quais o Prémio de Imprensa para Melhor Atriz de Teatro Ligeiro e o Prémio Estevão Amarante, ambos em 1966. Tornou-se rapidamente cabeça de cartaz no Parque Mayer e uma referência da revista portuguesa, destacando-se em diversos espetáculos como Ó Zé Aperta o Cinto (1971), Pronto a Despir (1972), O Bombo da Festa (1976), Feliz Natal, Avozinha (1979) e Não Há Nada Para Ninguém (1981).
Ivone Silva deixou igualmente marca no cinema, com participações em O Destino Marca a Hora (1969) e A Maluquinha de Arroios (1970). Na televisão, alcançou enorme sucesso em programas como A Feira (1978), Ivone Faz Tudo (1979), Ponto e Vírgula (1984) e sobretudo Sabadabadu (1981), onde protagonizou, ao lado de Camilo de Oliveira, os inesquecíveis duetos de “Agostinho e Agostinha”, premiados e muito acarinhados pelo público.
Em dezembro de 1986, a atriz interrompeu o trabalho na revista Isto é Maria Vitória devido a problemas de saúde. Em abril de 1987 abandonou definitivamente o palco e foi internada no Instituto Português de Oncologia, onde viria a falecer meses depois.

Hoje, voltamos a recordar com orgulho a sua vida e obra. Ivone Silva permanece como uma figura incontornável da cultura portuguesa, cuja memória continua a inspirar gerações e a honrar a terra onde nasceu.
Foto Destaque: Ivone Silva em 1987 [Blog “Espreitar Portugal”].
Foto com Camilo de Oliveira : DR

Na peça de teatro ” para trás mija a burra” (DR)
JFNSP




